O estresse é uma resposta natural do nosso organismo e em momentos pontuais, pode até ser benéfico, ajudando o corpo a reagir diante de situações desafiadoras. Quando o estresse se torna crônico, os efeitos vão muito além do mal-estar emocional e podem gerar desequilíbrios em diversas funções do corpo humano, inclusive, na saúde reprodutiva.
Quando estamos sob estresse constante, o corpo ativa uma série de reações hormonais, especialmente o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, que leva ao aumento da liberação de cortisol, conhecido como “hormônio do estresse”. Níveis elevados desse hormônio podem interferir na produção e no equilíbrio dos hormônios femininos, como o estrogêmio e progesterona, resultando em ciclos irregulares, dificuldade de ovular e alterações na fase lútea, que é fundamental para a preparação do útero para uma possível gravidez. A ativação contínua de processos inflamatórios pode gerar um estado de inflamação capaz de alterar o ambiente reprodutivo feminino, esse desequilíbrio imunológico também pode comprometer a qualidade dos oócitos, o ambiente uterino e a implantação embrionária. Dessa forma, o estresse não é uma causa isolada da infertilidade, mas pode dificultar o funcionamento adequado do sistema reprodutivo feminino.
O desafio emocional do processo de investigação e tratamento da infertilidade, causam níveis elevados de estresse e ansiedade, comuns nesse período, reforçando como é importante cuidar de forma integral. Por isso, o acompanhamento da fertilidade feminina deve considerar não só os aspectos físicos, mas também o bem-estar emocional. Estratégias que auxiliem no controle do estresse, como apoio emocional, acompanhamento psicológico, hábitos de vida saudáveis, sono adequado e atividades que promovam qualidade de vida, podem contribuir para o equilíbrio hormonal e para a saúde reprodutiva como um todo.
Beatriz Roriz Bessa