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Protocolos de estímulo ovariano e seus efeitos em número e qualidade de oocitos

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Sarah Nachef

A fertilização in vitro é realizada com óvulos coletados em ciclos naturais ou ciclos estimulados, utilizando diferentes protocolos para a estimulação ovariana. Os protocolos de estimulação ovariana, contudo, têm como objetivo aumentar o número de oócitos e, consequentemente, de embriões disponíveis para uso clínico. Porém, o que muitas vezes não é considerado, é se o aumento do número de oócitos obtidos ocorre perda na qualidade e, assim sendo, dos resultados.

Os protocolos de estimulação alteram significativamente os níveis hormonais em relação a um ciclo natural, contornando assim os mecanismos de seleção natural para recrutar folículos em diferentes estágios de desenvolvimento.

O desenvolvimento e a maturação do oócito dependem de interações entre o oócito, o folículo e o controle hormonal para coordenar a maturação citoplasmática e meiótica. Consequentemente, o ambiente em que o oócito se desenvolve é fundamental para o estabelecimento da competência de desenvolvimento do oócito. No entanto, os oócitos resultantes não são equivalentes em termos de desenvolvimento nem igualmente competentes, o que impacta o sucesso da fertilização e compromete o desenvolvimento embrionário.

Alguns trabalhos identificaram uma pequena faixa dentro da qual, o número de oócitos recuperados após a estimulação ovariana, ser um preditivo de nascidos vivos. Em pacientes com melhor prognóstico, Martin et al. relataram uma redução significativa nos nascidos vivos quando o número de oócitos recuperados excedeu 10, com uma redução adicional quando mais de 20 oócitos foram recuperados.

O recrutamento de folículos adicionais além desse intervalo proporciona pouco ou nenhum benefício, ou até mesmo um benefício reduzido, sugerindo que a competência do oócito é limitada a um número modesto em um determinado ciclo e a extrusão do corpúsculo polar é um marcador insuficiente de competência do oócito. No entanto, para a maioria das clínicas, o único critério para os oócitos recuperados é a avaliação do estágio de metáfase II (MII), com a extrusão de um corpúsculo polar como indicador de maturação e, portanto, substituto para a competência de desenvolvimento.

Não há consenso sobre as características dos oócitos que são preditivas do resultado, porém, com os avanços inteligência artificial, mostrará caminhos para quantificar a qualidade do oócito de forma semelhante aos sistemas de classificação de embriões já existentes, Assim sendo, novas medidas para qualificar o oócito poderão servir não apenas para melhorar os resultados para pacientes de fertilização in vitro, mas também para gerenciar as expectativas para ciclos de criopreservação e doação de óvulos
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Sarah Nachef

– Embriologista Sênior Gestora de Laboratório.
– Responsável Técnica Crio Fértil, Consultoria Reprodutiva.
– Membro da Diretoria Pronúcleo, Associação Brasileira de Embriologistas em Medicina Reprodutiva.

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