Más Respondedoras

27 jan, 2025

Na fertilização in vitro (FIV), normalmente usamos uma estimulação ovariana para se obter o crescimento de vários folículos simultâneos para conseguir uma quantidade maior de óvulos que formem pelo menos um embrião de boa qualidade, mas mesmo com os avanços tecnológicos na área , nem todos os óvulos são fertilizados e entre os embriões formados nem todos serão de boa qualidade. Entretanto, algumas mulheres submetidas a um ciclo de FIV , mesmo com doses altas de medicação , recrutam um número muito pequeno de folículos , máximo 3 óvulos maduros,  condição essa que chamamos de má respondedora.

Segundo a Sociedade Europeia de Reprodução Humana (ESHRE) a má-respondedora é aquela mulher que apresenta pelo menos dois dos critérios abaixo:

  • Idade materna avançada;
  • Má-resposta em ciclo de estimulação ovariana convencional prévio (≤ 3 óvulos);
  • Exames de reserva ovariana alterados: Contagem de folículos antrais <5-7 ou Hormônio Anti-Mülleriano: <0.5-1.1 ng/ml;
  • Apresentar dois episódios de má-resposta em ciclos com máxima estimulação ovariana

Entre as principais causas da  má resposta ao estímulo ovariano temos:

  • Idade materna avançada que leva à baixa reserva ovariana
  • Falência ovariana precoce (FOP) – menopausa precoce;
  • Antecedentes de quimioterapia prévia;
  • Cirurgias ovarianas prévias dentre outros

O diagnóstico de “má-respondedora” pode ser feito através de exames da reserva ovariana, incluindo a contagem de folículos antrais e a dosagem dos níveis do hormônio Anti-Mülleriano mas também podemos descobrir que a paciente é má respondedora após um ciclo de FIV que resulta em uma pequena quantidade de óvulos coletados.

Pacientes com esse perfil,  o médico avalia com cuidado o melhor protocolo de indução para se obter os melhores resultados e temos como protocolos alternativos nesses casos, por exemplo:

  • Mini-FIV: que usa doses hormonais

 

  • DuoStim: protocolo de dupla estimulação ovariana realizado durante o mesmo ciclo menstrual da mulher, ou seja, consiste em dois tratamentos de estímulo ovulatório feitos dentro de um único ciclo feminino, possibilitando assim duas coletas de óvulos no mesmo período.

Em outras palavras, no DuoStim são feitas duas induções ovarianas, sendo a primeira na fase folicular, e a segunda na fase lútea (última fase do ciclo ovulatório, possibilitando que os folículos que não estiverem prontos para a maturação da primeira vez podem amadurecer e serem coletados na segunda tentativa.

Um diagnóstico correto é sempre o primeiro passo para uma conduta de sucesso.

Darlete Matos

Embriologista Senior