Impactos da biópsia em D5/D6/D7

09 abr, 2025

Camila Madaschi – Biomédica – Embriologista

A presente revisão pretende abordar todos os diferentes aspectos da biópsia de
Trofectoderma (TE): momento da biópsia TE, celularidade, o dia da biópsia e resultados
clínicos e neonatais pós-biópsia de TE (1).

Capalbo et al. mostraram que o dia da biópsia não afetou a taxa de implantação; embriões
biopsiados e congelados no dia 5 tiveram uma taxa de implantação de 48,8% em
comparação com 51,2% para embriões do dia 6. Gonzalez et al. também não notaram
nenhuma diferença significativa nas taxas de implantação (OR 0,6 IC 95% 0,4–1,2) e
taxas de nascidos vivos (OR 0,3 IC 95% 0,1–1,3) ao comparar embriões euplóides
biopsiados no dia 5 versus dia 6 (2).

Segundo Tan. C et al, a análise de regressão logística multifatorial mostrou que idade,
IMC, espessura endometrial e qualidade embrionária das mulheres afetaram os resultados
clínicos dos embriões após biópsia. Mulheres com idade <40 anos ou com índice de massa
corporal (IMC) >18,5 e espessura endometrial>1,0 cm tiveram uma taxa de sucesso de
gravidez significativamente maior. Comparada à biópsia de blastocisto D6, a biópsia de
blastocisto D5 foi associada a uma maior taxa de sucesso de gravidez, mas uma taxa de
nascidos vivos semelhante (3).

Em relação ao dia da biópsia, apenas uma pequena proporção de blastocistos atinge um
estágio adequado para biópsia no dia 7 (2–8%), com taxas de euploidia entre 25 e 49%..
A taxa de implantação sustentada após transferência de embrião único euplóide no dia 7
pareceu ligeiramente menor em comparação ao dia 5 (52,6% versus 68,9%) ou dia 6
(66,8%); no entanto, estes não foram significativamente diferentes (p = 0,14). O valor
clínico dos blastocistos euplóides do dia 7 foi ainda mais destacado por Cimadomo et al.,
mostrando uma redução relativa de 7,3% no número de pacientes obtendo blastocistos
euplóides e uma redução relativa de 4,4% no número de pacientes obtendo nascidos vivos
se a cultura de embriões terminasse no dia 6. No entanto, não deve ser negligenciado que
o aumento da perda de gravidez com blastocistos euplóides do dia 7, foi relatado: 11,5–
14,9–19,2% para blastocistos do dia 5/6/7, respectivamente, 22–40% além de 144 h pósinseminação(2).

Até agora, o resultado obstétrico e neonatal pós-biópsia TE é reconfortante; no entanto, o
efeito da causa da infertilidade não pode ser excluído, pois a maioria dos estudos tem
indicações de PGT mistas. Além disso, como a metodologia do procedimento de biópsia
não foi padronizada entre os estudos, essa questão dificilmente foi estudada em relação à
segurança em termos de resultado neonatal. Enquanto a rebiópsia em casos de falha de
teste diagnóstico tem seu valor clínico (mesmo que com menor eficiência), a avaliação
de segurança da biópsia dupla/vitrificação dupla precisa ser expandida com o
acompanhamento neonatal (2).

Referências Bibliográficas:
1. De Vos, A.; De Munck, N. Trophectoderm Biopsy: Present State of the Art. Genes 2025, 16, 134.https://doi.org/10.3390/genes16020134.
2. Gordon, C.E.; Lanes, A; Thomas, A; Racowsky, C. Day of trophectoderm biopsy and embryo quality are associated with outcomes
following euploid embryo transfer. Journal of Assisted Reproduction and Genetics (2022) 39:2539–2546. https://doi.org/10.1007/s10815-
022-02613-x.
3. Tan C, Wang X, Zou P, Wei W, Yan L, Wang K and Yu Y. Impact of blastocyst grading and blastocyst biopsy dates on the clinical outcomes
of patients undergoing preimplantation genetic testing. Front. Endocrinol (2024). 15:1427922. doi: 10.3389/fendo.2024.1427922

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