Taxas de sucesso de D3 X D5
26 maio, 2025
A fertilização in vitro (FIV) que é uma técnica bem estabelecida para o tratamento da infertilidade, possui mais de 10 milhões de crianças nascidas desde 1978.(Cornelisse et al., 2024)
A implantação embrionária constitui um processo complexo que implica em múltiplos fatores biológicos, e a transferência embrionária (TE) representa um passo crucial na Fertilização in vitro (FIV) (Sfakianoudis et al., 2024)(Cornelisse et al., 2024).
Diversos estudos focam na competência embrionária e no status endometrial, e tem se estabelecido que, um embrião de boa qualidade, um endométrio receptivo e um diálogo eficaz entre eles são os requisitos para se alcançar uma gravidez. O tempo da TE, que pode ser entre o dia 2 até o dia 7 pós fertilização é crítico para o sucesso da implantação e os debates entre cada uma das opções são constantemente discutidos em pesquisas e revisões (Sfakianoudis et al., 2024).
Nas décadas de 80 , 90 e início dos anos 2000, durante o tratamento de FIV os embriões eram transferidos no terceiro dia após a coleta oocitária , se alinhando com o estágio de clivagem do desenvolvimento embrionário. Após melhorias nas condições de cultivo in vitro e técnicas de criopreservação ( vitrificação substituindo o congelamento lento) o padrão de transferência foi alterado em direção a transferência no estágio de blastocisto do desenvolvimento embrionário que ocorre usualmente no quinto ou sexto dia após a coleta oocitária. (Cornelisse et al., 2024)
Tais avanços, entre eles, nos meios de cultivo levou a uma mudança nas práticas da TE do estágio de clivagem ao estágio de blastocisto, essa mudança racional seria para melhorar o sincronismo uterino e embriônico , a incapacidade de selecionar embriões viáveis resultando então em melhores taxas de nascidos vivos(Glujovsky et al., 2022).
A transferência embrionária no estágio de blastocisto tem aumentado as taxas de nascidos vivos para cada transferência a fresco em mulheres com bom prognóstico. Devido as vantagens teóricas de se transferir em um estágio mais avançado do desenvolvimento embrionário, muitas clinicas mundialmente mudaram da transferência de embriões em fase de clivagem (DIA 3) para embriões na fase de blastocisto (DIA 5) entretanto sem eficácia comprovada (Cornelisse et al., 2024).
Em muitas clínicas a data da transferência embrionária pode ser decidida de acordo com o número e a qualidade embrionária. Embriões no estágio de clivagem a transferência é conduzida em alguns casos quando temos menos de 3 embriões no segundo dia ou que tenham uma qualidade embrionária baixa.
Permanece, entretanto incerto qual dos dois tipos de transferência embrionária é superior em termos de taxas cumulativas de nascidos vivos para ambas as transferências a fresco ou descongelados.
Apesar das avançadas tecnologias disponíveis introduzidas, as taxas de implantação permanecem baixas. Essas taxas baixas são atribuídas a diversos fatores desde a qualidade embrionária, até o procedimento de TE.
Os procedimentos de entregar o embrião na cavidade uterina constitui um passo crucial, que dita os resultados da implantação e resultados clínicos(Sfakianoudis et al., 2024).
De acordo com muitos estudos a idade materna e a qualidade embrionária são os parâmetros preditivos mais importantes nos resultados da FIV. E diversos estudos investigaram o efeito do dia da transferência embrionária e isso se mostrou inconclusivo.(Sfakianoudis et al., 2024)
De acordo com uma revisão Cochrane, os embriões frescos transferidos no quinto dia comparados com dia 3 seguido da coleta oocitária podem melhorar as taxas de nascimentos e taxas de gravidez clínica, entretanto nenhuma conclusão robusta foi tirada com relação a baixa qualidade e moderada qualidade dos embriões para gravidez clinica. Assim como transferir em dia 5 ao invés de dia 6 também pode resultar em altas taxas de gravidez e nascidos vivos tanto em ciclos frescos quanto em ciclos congelados.(Sfakianoudis et al., 2024)
Em um estudo multicêntrico randomizado em que se comparou a taxa cumulativa de nascidos vivos nas transferências no dia 5 verso o dia 3, essa taxa não diferiu entre esses dois grupos, a taxa de perda de gravidez foi mais baixa no grupo que transferiu no quinto dia se comparado ao grupo de clivagem. Assim como a taxa de nascido vivo no grupo de blastocisto transferido a fresco foi maior(Cornelisse et al., 2024).
Os resultados sugerem que a cultura extendida até o estágio de blastocisto podem beneficiar a seleção de embriões com um potencial de implantação maior, tal resultado poderia estar ligado ao status de ploidia do embrião , já que a prevalência de aneuploidia é maior no estágio de clivagem e embriões aneuploides seriam a principal razão da falha de implantação , entretanto a transferência na fase de blastocisto aumenta a preocupação com relação aos nascimentos pré termo , portanto a interpretação dos resultados deve ser cuidadosa e mais pesquisa devem ser realizadas para validar(Cornelisse et al., 2024).
Uma revisão de 2022 Cochrane em que 32 estudos controlados randomizados o resultado se mostrou incerta tanto para embriões transferidos a fresco ou congelados , com relação se a transferência de embrião na fase de blastocisto melhoraria as taxas de gravidez clinicas ,tal revisão sugeriu que futuros estudos controlados randomizados deveriam reportar as taxas de nascidos vivos, taxas de nascimento cumulativas e abortos, além de melhor avaliar as mulheres com baixo prognóstico para melhor escolha da opção de tratamento disponível (Glujovsky et al., 2022).
Nos últimos congressos nacionais e internacionais, além do destaque sobre novas tecnologias que utilizam inteligência artificial para escolher o melhor gameta, avaliar melhor o embrião e com isso aumentar as chances de transferência e implantação muito tem se falado no retorno de alguns protocolos como transferência no terceiro dia, transferência a fresco e não mais só “freeze all” . Muito ainda tem que ser estudado e analisado para definir como padrão apenas um protocolo , a tendência é realmente individualizar cada vez mais os ciclos de FIV e pensar nas pacientes de baixo ou moderado prognóstico já que não existe comprovação de que transferir em blastocisto é mais eficaz e com melhores resultados.
REFERÊNCIAS Bibliográficas
Cumulative live birth rate of a blastocyst versus cleavage stage embryo transfer policy during in vitro fertilisation in women with a good prognosis: multicentre randomised controlled trial Cornelisse S, Fleischer K,
[…]
Mastenbroek SBMJ (2024) e080133
Embryo Transfer Procedural Parameters Do Not Predict IVF Cycle OutcomeSfakianoudis K, Maziotis E,
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Simopoulou MJournal of Clinical Medicine (2024) 13(5) 1312
Cleavage-stage versus blastocyst-stage embryo transfer in assisted reproductive technologyGlujovsky D, Quinteiro Retamar A,
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Blake DCochrane Database of Systematic Reviews (2022) 2022(6)