A idade masculina tem efeito sobre o tratamento de FIV

02 mar, 2026

Quando falamos em fertilidade, é comum encontrarmos estudos relacionando o tema à idade feminina. Porém a fertilidade depende da saúde de ambos os parceiros. Assim como no corpo feminino, o masculino também sofre mudanças com o tempo. Embora os homens possam produzir mais espermatozoides ao longo da vida, o envelhecimento está associado a alterações na qualidade seminal e no material genético, o que pode impactar a taxa de sucesso dos tratamentos.

O envelhecimento masculino está relacionado a mudanças graduais na função testicular e na qualidade espermática. O volume testicular, número de células de Leydig (responsáveis por produzir testosterona), células de Sertoli (fornecem suporte, nutrição e proteção) e germinativas (produção de espermatozoides através da espermatogênese) diminui com o envelhecimento. Estudos mostram que homens a partir dos 40 anos apresentam redução na concentração e motilidade dos espermatozoides, além de maior fragmentação de DNA. Esses fatores podem dificultar a fertilização e o desenvolvimento saudável do embrião, influenciando diretamente no sucesso do tratamento de fertilização in vitro.

Durante um ciclo de tratamento de FIV, cada etapa é cuidadosamente planejada para aumentar as chances de sucesso do tratamento do casal, e a qualidade dos espermatozoides tem um papel crucial nesse processo. Quando há alterações como baixa concentração, baixa motilidade e fragmentação do DNA aumentada a fertilização pode não acontecer de forma satisfatória e consequentemente os embriões formados a partir desses espermatozoides podem apresentar menor potencial de desenvolvimento, o que reduz as taxas de blastocistos e como resultado diminui o número de embriões viáveis para uma transferência.

Felizmente, os avanços da reprodução assistida permitem contornar grande parte dessas alterações. Técnicas como a ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozoide) permitem que mesmo com baixa concentração e motilidade o espermatozoide fertilize o óvulo. Além disso, a microfluídica vem sendo utilizada como forma de selecionar os espermatozoides com DNA integro e melhor motilidade. Vale ressaltar que essa técnica não repara a fragmentação de DNA, mas em algumas situações ajuda na seleção de espermatozoides com DNA íntegro.

Por isso, a avaliação do fator masculino antes de iniciar um ciclo de tratamento é essencial. O espermograma e a análise de fragmentação de DNA ajudam a identificar alterações que podem interferir em bons resultados e ajudam a equipe do laboratório a encontrar a melhor estratégia para cada caso. Além disso, qualidade de vida, prática de esportes, boa alimentação, baixo consumo de álcool e evitar o tabagismo podem contribuir para uma melhora na qualidade seminal como um todo.

A idade masculina é sim um fator importante nos ciclos de reprodução assistida e não deve ser ignorada visto que tem poder de influenciar no sucesso dos tratamentos. No entanto, isso não significa que a paternidade após os 40 anos seja inviável. Com a avaliação adequada, hábitos de vida saudáveis, orientação médica e equipe de embriologistas e andrologistas especializadas, é possível alcançar excelentes resultados e realizar o sonho da paternidade.

Laíssa Antunes