Custos e coberturas do tratamento de FIV no Brasil

02 fev, 2026

A indicação de Fertilização in Vitro (FIV) geralmente vem acompanhada de uma grande preocupação com os custos financeiros envolvidos. Em uma pesquisa rápida no Google, encontram-se valores que variam de 15 mil a 80 mil reais por ciclo, ou seja, por coleta de óvulos. Uma análise mais aprofundada do mercado confirma que essa estimativa está correta. O valor do tratamento se justifica pelos altos custos de equipamento e insumos, pela necessidade de um controle de qualidade robusto e por uma equipe multidisciplinar altamente especializada, incluindo embriologistas e médicos especialistas. Pois, embora a reprodução humana assistida esteja cada vez mais presente no cotidiano e mais pessoas recorram ao tratamento para realizar o sonho de ter um filho, o setor ainda é altamente especializado e os custos refletem essa complexidade.

 

O tratamento de FIV é uma jornada que envolve diversas etapas e procedimentos e, como paciente, é importante ter esclarecimento sobre quais são, pois, a maioria necessitará de investimento financeiro. Antes de se solicitar um orçamento, a primeira etapa é a consulta com o especialista em Reprodução Humana. É nessa avaliação que o médico discute as opções terapêuticas e define qual tratamento é mais adequado para cada paciente, seja o congelamento de óvulos, FIV convencional, ICSI, PGT-A ou doação de óvulos. Mesmo quando o paciente já passou por um especialista e busca orçamento em outra clínica, é comum que o serviço solicite uma nova consulta para verificar a indicação e construir um relacionamento médico-paciente antes de liberar valores. Os orçamentos apresentam os custos dividos em procedimentos clínicos e laboratoriais, sendo estes dois responsáveis por cerca de 50% do valor total, somados a honorários médicos, medicação para indução da ovulação (média de 3 a 15 mil por coleta), exames adicionais e a taxa de manutenção de material congelado (média de 2 a 4 mil por ano).

 

É preciso esclarecer que não existe um valor padronizado para a FIV no Brasil, principalmente, porque diferentes fatores influenciam diretamente o preço final. Além disso, a maior parte dos serviços de reprodução humana são privados. O que não necessariamente se reflete na qualidade do serviço, sendo que todos necessitam atender as normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), para estarem em funcionamento. Entretanto, como qualquer serviço privado, o valor está associado ao tipo de estrutura, o nível de tecnologia disponível, serviços de experiência do paciente e aos custos adicionais que o deslocamento geográfico pode exigir em locais mais distantes de grandes centros comerciais.

 

Atualmente, os planos de saúde não são obrigados a cobrir a FIV, já que não estão incluídas no rol de procedimentos de cobertura obrigatória estabelecido pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Em alguns casos específicos podem ser autorizados exames ou tratamentos associados à investigação da infertilidade. O Sistema Único de Saúde (SUS) possui poucos centros públicos em alguns estados que oferecem FIV, porém isso não integra oficialmente a lista de tratamentos disponíveis pelo sistema. As vagas são limitadas e as filas costumam ser longas, apesar de ser uma alternativa relevante para quem não possui recursos para tratar na rede privada.

 

Planejar a FIV exige organização financeira, clareza sobre todos os custos envolvidos e diálogo aberto com o médico para alinhar expectativas, estratégias, tempo e investimento. Esse planejamento cuidadoso torna o processo mais consciente e reduz surpresas ao longo da jornada, permitindo que o paciente tome decisões com mais segurança e tranquilidade.

 

Vitória Cristina Bernardelli

 

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