Óvulos/embriões congelados envelhecem?
16 mar, 2026
O congelamento de óvulos e embriões representa uma prática consolidada e amplamente utilizada na medicina reprodutiva, especialmente por mulheres que desejam adiar a maternidade ou preservar sua fertilidade por motivos médicos, como no caso de tratamentos oncológicos. Uma dúvida frequente entre os pacientes refere-se a saber se óvulos e embriões congelados “envelhecem” com o tempo, comprometendo sua qualidade reprodutiva. A resposta para essa questão está diretamente relacionada à técnica de criopreservação, com destaque para a vitrificação, o método mais utilizado para o congelamento de gametas.
A vitrificação consiste em um processo de congelamento ultrarrápido, realizado a temperaturas extremamente baixas, cerca de -196 °C, utilizando nitrogênio líquido. Como resultado, os óvulos e embriões entram em um estado de “pausa biológica”, onde sua atividade metabólica é interrompida, evitando o envelhecimento celular ou a degradação do material genético enquanto permanecem congelados. Dessa forma, o tempo de armazenamento não afeta a qualidade do material reprodutivo, desde que o congelamento e o descongelamento sejam realizados corretamente.
Apesar disso, é importante compreender que o envelhecimento dos óvulos ocorre antes do congelamento, sendo diretamente influenciado pela idade da mulher no momento da coleta. Com o avanço da idade, observa-se uma diminuição natural na quantidade e na qualidade dos óvulos, o que resulta em um aumento significativo no risco de anomalias genéticas. Embora a vitrificação seja altamente eficaz em preservar a qualidade dos óvulos no momento do congelamento, ela não impede os efeitos do envelhecimento biológico. Por essa razão, óvulos congelados de mulheres mais velhas têm uma maior probabilidade de apresentar alterações genéticas em comparação aos óvulos de mulheres mais jovens. Esse mesmo princípio se aplica aos embriões formados a partir de óvulos mais velhos, que podem apresentar maior taxa de fragmentação celular, bem como risco de anomalias cromossômicas.
Uma característica relevante sobre o congelamento de embriões é que não há limite máximo para o tempo de armazenamento. Estudos clínicos comprovaram que embriões congelados por mais de 20 anos podem resultar em nascimentos saudáveis, desafiando a ideia de que o tempo prolongado de congelamento prejudicaria sua viabilidade. Esses casos reforçam a eficácia e a segurança do processo de congelamento, mesmo após longos períodos de armazenamento. Sendo assim, o congelamento de óvulos e embriões assegura a preservação da qualidade do material reprodutivo, impedindo o envelhecimento celular e mantendo sua integridade genética. Esse processo eficaz oferece uma solução segura e confiável, possibilitando a preservação da fertilidade por tempo indeterminado, com altas chances de sucesso reprodutivo no futuro.
Ana Normélia Pereira de Morais (Norma Morais)