Hatching prévio ou no momento da biópsia?
15 set, 2025
O teste genético pré-implantacional (PGT) tem sido proposto principalmente como um método para melhorar a seleção de embriões para pacientes com prognóstico ruim para o sucesso da fertilização in vitro (FIV) como nos resultados de falhas anteriores de implantação ou idade avançada.
O momento da biópsia embrionária e o tipo de teste genético realizado mudaram rapidamente com a biópsia do trofectoectoderma no estágio de blastocisto e técnicas abrangentes de triagem cromossômica, melhorando assim os resultados clínicos.
Embora as técnicas dos testes genéticos tenham sido aprimoradas ao longo dos anos, a técnica de biópsia de blastocisto não recebeu a mesma atenção. Dois protocolos foram publicados na literatura para a realização da biópsia do trofoectoderma.
O primeiro método é onde a abertura da zona pelúcida (ZP) é realizada no estágio de clivagem (dia 3), seguida por cultivo estendido até o estágio de blastocisto (dia 5, 6 ou 7), e as células do trofoectoderma são biopsiadas quando se apresentam herniadas através da abertura artificial. Alguns laboratórios (menos usuais) optam até por abrir a ZP no estágio pronuclear durante a verificação da fertilização, ou realizar a abertura no dia 4 de desenvolvimento embrionário, neste estágio de mórula/blastocisto inicial, na tentativa de visualizar a massa celular interna prematuramente.
O segundo método é quando o embrião é deixado em cultivo até o estágio de blastocisto (dia 5, 6 ou 7), e neste estágio a ZP é aberta (no lado oposto da massa celular interna para evitar danos) e a biopsia do trofoectoderma é realizada.
Alguns estudos compararam qual o melhor momento para realizar o hatching para biópsia do embrião (primeiro ou segundo método), e os resultados mostraram semelhança na taxa de embriões euplóides quando abertura da ZP é realizada no dia 3 ou no dia da biópsia. Porém, o número de blastocistos biopsiados congelados e a sobrevivência dos embriões aquecidos se apresentaram significativamente menor quando a abertura da ZP foi realizada no dia 3, favorecendo neste método um impacto negativo em protocolos PGT-A.
A abertura da ZP em dia 3 promove a herniação artificial dos embriões em dia 5, 6 ou 7, facilitando a separação do trofoectoderma no momento da biópsia, por outro lado, expõe os embriões mais tempo fora da incubadora podendo causar alterações no cultivo embrionário e risco da herniação da massa celular interna. Entretanto, o método de abertura da ZP no dia da biópsia, ou seja, no estágio de blastocisto, não envolve nenhuma manipulação no dia 3, e o embrião permanece intacto até o estágio de blastocisto. Além disso, essa estratégia é mais segura para a integridade da massa celular interna já que é possível visualizá-la no blastocisto já formado.
Apesar dos resultados dos trabalhos publicados favorecer p hatching no momento da biopsia embrionária, ambos os métodos são eficazes quando realizados com segurança, habilidade e competência técnica, para isso é preciso avaliar o fluxo de trabalho e experiência do embriologista que executará a técnica para definir qual o melhor método para cada laboratório, ou até mesmo modifica-lo.
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Sarah Nachef
– Embriologista Sênior Gestora de Laboratório.
– Responsável Técnica Crio Fértil, Consultoria Reprodutiva.
– Membro da Diretoria Pronúcleo, Associação Brasileira de Embriologistas em Medicina Reprodutiva.
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