O teste genético garante a gravidez?
23 fev, 2026
Teste Genético Pré-Implantacional (PGT) é um exame realizado nos ciclos de fertilização in vitro (FIV) com o objetivo de analisar o material genético dos embriões antes da transferência para o útero. Na prática clínica, ele pode ser indicado para diferentes finalidades: o PGT-A, voltado à identificação de alterações no número de cromossomos; o PGT-M, indicado para doenças genéticas monogênicas específicas; e o PGT-SR, utilizado nos casos de rearranjos cromossômicos estruturais.
O PGT é realizado a partir da retirada de algumas células da parte externa do embrião, chamada trofectoderma, quando ele atinge um estágio mais avançado de desenvolvimento, geralmente entre o quinto e o sexto dia. Essas células darão origem à placenta. Por isso, a coleta é feita de maneira criteriosa, utilizando apenas poucas células, com o objetivo de preservar o desenvolvimento embrionário.
A escolha desse momento para a realização do exame está relacionada à maior segurança do procedimento, uma vez que aumenta o numero de celulas coletadas e evita a manipulação direta das células que formarão o bebê. Após a biópsia, o embrião é congelado por uma técnica chamada vitrificação e permanece preservado até que o resultado do teste genético esteja disponível, sendo transferido em um ciclo futuro.
Com base nos resultados do PGT, os embriões são classificados como euploides, quando apresentam o número esperado de cromossomos, ou aneuploides, quando há alterações, como falta ou excesso de cromossomos (monossomias ou trissomias). As alterações cromossômicas identificadas nos embriões estão associadas a maiores chances de falha de implantação e de perdas gestacionais precoces.
A identificação de embriões euploides permite a seleção daqueles com maior potencial de implantação, o que pode contribuir para melhores taxas de gravidez por transferência embrionária. No entanto, mesmo que ocorra a transferência de um embrião geneticamente normal isso, não garante que a gestação irá se estabelecer ou evoluir até o final.
É importante destacar que o PGT não melhora, corrige ou modifica a qualidade do embrião. Seu papel é essencialmente diagnóstico, auxiliando na identificação de embriões com alterações genéticas e reduzindo a transferência daqueles com menor chance de desenvolvimento, sem interferir diretamente nos mecanismos biológicos da gestação.
A gravidez é um evento complexo e depende de diversos fatores além do perfil genético embrionário. A receptividade do útero, o equilíbrio hormonal, a adequada interação entre embrião e endométrio e aspectos do sistema imunológico também exercem influência determinante nesse processo.
Assim, embora o PGT contribua para a redução de riscos genéticos e possa melhorar as taxas de gravidez ao selecionar embriões euploides, ele NÃO garante a gravidez. Sua indicação deve ser feita de forma individualizada e sempre acompanhada de orientação adequada, para que os pacientes compreendam seus benefícios e limitações e possam tomar decisões com segurança.
Maria Cristina Picinato
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